Entrevista com Rosane Dill Donati
Rosane Dill Donati é Administradora de Empresas e especialista em Relações Internacionais. Especializou-se na assessoria de entidades de classe como ANTRADER (Associação Nacional dos Operadores de Comércio Exterior) e ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). Desde 1995, atua como Superintendente Executiva da ABIPA – Associação Brasileira da Indústria de Painéis de Madeira.
1 - Como se deu o desenvolvimento de painéis reconstituídos no Brasil?
Surgiu, na Alemanha, no início da década de 40, a utilização das chapas de partículas de madeira aglomerada como forma de viabilizar a utilização de resíduos de madeira face a dificuldade de obtenção de madeira de boa qualidade para produção de lâminas para compensados, como resultado do isolamento do país durante a Segunda Guerra Mundial. Logo a seguir, outro grande problema fez com que a produção fosse paralisada pela falta de resina, tendo em vista a prioridade do uso de petróleo para fins militares. À partir da década de 60, houve uma grande expansão com novas instalações industriais e avanços tecnológicos.
Foi em 1966, com uma defasagem de 16 anos, que o painel de madeira aglomerada começou a ser produzido no Brasil. Em 1967, foi criada a ABIMA – Associação Brasileira da Indústria de Madeira Aglomerada transformando-se, em 1994, em ABIPA – Associação Brasileira da Indústria de Painéis de Madeira, incorporando, assim, as indústrias produtoras de chapas duras.
A partir desse momento, a indústria de painéis iniciou sua fase de investimentos da ordem de US$ 1,3 bilhão, na modernização e atualização tecnológica das plantas existentes com linhas contínuas, novos processos de impressão, impregnação, revestimento e pintura. Dando continuidade ao seu programa de investimentos, na ordem de US$ 1,2 bilhão, com a instalação de novas unidades industriais de MDF, HDF e MDP, modernização e ampliação de capacidade e, ainda, expansão das áreas de reflorestamento, a indústria de painéis está projetando um aumento de sua capacidade nominal instalada anual dos 9,6 milhões de m³ em 2010, para aproximadamente 10,5 milhões m³/ano em 2012.
2 - Qual o balanço que o ABIPA faz em relação ao ano de 2009 para a indústria de painéis reconstituídos no Brasil? Quais foram os fatores positivos e/ou negativos que influenciaram o setor em 2009?
A indústria de painéis sentiu fortemente os efeitos da crise econômica internacional, só no 1º tri/09, as quedas nas vendas no mercado doméstico representaram 20% e a queda nas exportações, 30%. Ainda assim, todos os investimentos anunciados que já estavam em andamento, foram mantidos.
Esse processo de expansão da capacidade instalada teve, em contrapartida, a forte retração da demanda em 2009 e como resultado, a indústria de painéis apresentou baixa utilização da capacidade instalada. Somado ao acima exposto, os incentivos governamentais concedidos a outros segmentos levaram a produção dos bens de consumo duráveis (automóveis e eletrodomésticos) a ter um crescimento significativo enquanto que nossa cadeia de produção apresentava quedas significativas. Nesse sentido, mantivemos durante o ano de 2009, diversos encontros com o governo brasileiro, para discutir a preocupante situação de nossa cadeia de produção. Pleiteamos a desoneração total do IPI e, ainda, apresentamos o Projeto Casa Mobiliada que consiste em uma proposta dentro do programa habitacional do governo “Minha Casa Minha Vida”, com o objetivo de atender potenciais consumidores que não têm acesso a crédito para mobiliar suas casas.
3 - Quais os impactos decorrentes da fusão entre a Duratex e a Satipel e da aquisição da Tafisa pela Arauco?
Estamos vivenciando uma nova dinâmica no mercado de painéis no Brasil com processos de fusão e aquisição que são positivos para o setor, pois proporcionam ganho de musculatura para que as empresas possam competir globalmente.
4 - Quais são as expectativas para 2010?
Com a vitória da desoneração do IPI para cadeia de produção de painéis de madeira e móveis, estamos com expectativa da continuidade desse benefício ou, ainda, pela equalização do IPI nessa cadeia de produção. Aguardamos, também, o aceno positivo do Governo para nossa proposta de inserir no modelo de desenvolvimento econômico do governo federal e na política de inclusão social, novas estratégias de comercialização de móveis no programa Minha Casa Minha Vida.
Nossa meta é continuar trabalhando em parceria com a cadeia produtiva e com o Governo Federal para adoção de medidas necessárias que estimulem o crescimento e fortalecimento do setor como um todo.
5 - Quais as próximas etapas a serem vivenciadas pelas indústrias de painéis reconstituídos? Qual é o plano de desenvolvimento do setor?
Nos novos investimentos acima comentados teremos, além do aumento de capacidade, a instalação das novas unidades industriais das associadas Eucatex em 2010 e Berneck em 2011.