O ano de 2010 foi positivo para o mercado de painéis de madeira. O comportamento da atividade econômica nos últimos meses e o forte consumo doméstico tornaram-se indicadores determinantes para projeções futuras. A Abipa (Associação Brasileira da Indústria de Painéis de Madeira) está com expectativas de encerrar o ano com crescimento da ordem de 20%.
Segundo a superintendente executiva da Associação, Rosane Donati, as prospecções futuras levam em consideração a perspectiva macroeconômica para 2011. "Estamos considerando os fatores renda, crédito, PIB e construção civil. Acreditamos em um forte nível de atividade para o setor", declara.
Políticas Públicas
A superintendente enfatiza que a Abipa ainda trabalha no fortalecimento de políticas públicas para o setor habitacional, que contemplem o Projeto Casa Mobiliada. "Visamos principalmente o consumidor da Classe E (16% da população), com renda de zero a R$ 768; que representa 90% do déficit de habitações do país", ressalta.
Capacidade de produção
Entre 2005 e 2010, a capacidade nominal brasileira passou de 5,1 milhões de m³ para 9,2 milhões de m³, um crescimento superior a 80% (confira os gráficos a seguir). Neste período, a chapa de fibra viu sua representatividade no mercado cair de 12% para 5%, assim como o MDP, que registrou queda de 6% - embora mantenha a liderança no setor. Já a capacidade de produção das chapas de MDF registrou aumento de 13%.
Recentemente, Masisa e Eucatex inauguraram novas unidades fabris, enquanto que a Arauco do Brasil, Berneck, Duratex, Guararapes e Fibraplac implantaram melhorias em seus parques industriais. O objetivo, segundo as companhias, é estarem prontas para acompanhar a expansão dos polos moveleiros e da construção civil em São Paulo, Minas Gerais e nas regiões Centro-Oeste e Nordeste.
Rosane salienta que outra importante ação para o próximo ano é a construção de uma agenda "positiva" da cadeia produtiva, a fim de identificar propostas e ações comuns nas áreas de infraestrutura, comércio exterior, sistema tributário, meio ambiente, legislação trabalhista, entre outras. "Servirá como um plano de ação para manter a sustentação do crescimento do setor", destaca.
Aplicação
Em relação ao uso do MDP no mercado, estima-se que 89% da produção seja utilizada pela indústria de móveis, 5% é destinada para as revendas e 4% é empregada na construção civil, seguido pelo setor de pisos - 2%.
Já no caso do MDF, a aplicação doméstica das chapas atende a indústria de móveis - 55%, revenda - 33%, construção civil - 8% e o setor de piso - 4%. Em relação à chapa de fibra, a indústria moveleira concentra cerca de 44% do consumo.
Crescimento
Dados da Abipa revelam ainda que para os próximos anos, estão previstos novos investimentos com valores aproximados de US$ 1,2 bilhão na instalação de novas unidades industriais, que acarretarão num aumento da capacidade instalada atual (2010) de 9,2 milhões de m³ para aproximadamente 10,3 milhões de m³ anuais em 2012.