MDP ou MDF... o que usar?

 

Se MDF e MDP são painéis produzidos a partir do pinus ou eucalipto e, se ambos possuem densidade média e valores tecnológicos similares, qual é o melhor na fabricação de móveis? Segundo os fabricantes de painéis, não existe painel melhor ou pior, mas diferenças técnicas que determinam, limitando ou expandido as possibilidades de aplicação, dependendo do uso que cada indústria quer fazer do produto.

As diferenças

O MDF permite mais criatividade no design do móvel, que pode receber formas arredondadas e com riqueza de contornos. Isso pode conferir ao móvel maior valor comercial. Ele recebe mais facilmente a aplicação tanto de pintura como de PVC. É recomendado para os casos que necessitem de usinagens de superfície ou topo, pois ele proporciona melhor resultado de acabamento. Usinagens em baixo relevo, entalhes ou cantos arredondados também pedem MDF.

De uso limitado, o MDP é mundialmente mais utilizado na fabricação de móveis residências e comerciais de linhas retas e formas orgânicas, como portas, laterais, prateleiras, divisórias, tampos retos ou pós-formados, laterais e frentes de gavetas retas, enfim, em partes verticais e horizontais do móvel, sem restrições de uso.

José Marcos Trad, diretor de Marketing da Satipel, explica essa diferença em termos técnicos. “A principal diferença é que no painel de MDP são utilizadas partículas de madeira em camadas, ficando as mais finas na superfície e as mais delgadas no miolo. Já no MDF, aglutinam-se fibras de madeira. Porém, ambos são classificados como Painéis de Madeira de Média Densidade”.

Em termos práticos, segundo Andréa Krause, gerente de Marketing da Indústria Moveleira da Eucatex “o MDF, por ser fabricado com fibras, necessita de mais madeira e de mais resina no seu processo, portanto o seu custo é superior, de 25% a 50% em relação ao MDP”.

 

MDF e MDP no mesmo móvel

E já que cada um tem melhor aplicabilidade em tipos diferentes de móveis, a união dos dois pode dar um resultado bem interessante. Em móveis cuja estrutura principal precisa ser reta, mas pode-se abusar da criatividade no acabamento externo, como armário, por exemplo, a união dos dois é perfeitamente aceitável. Dessa forma a limitação do MDP pode ser compensada com as possibilidades criativas do MDF. E essa junção ainda reduz os custos do produto final. Para o William Chiea, supervisor Comercial da Montana Química, “esta diversidade de painéis pode ser utilizada pelo fabricante de móveis de forma estratégica, como uma nova fonte de recursos para fabricação do móvel, tornando-se menos dependente de um único fornecedor, de um único produto ou até mesmo de demanda para exportação”.

Essa união pode ser lucrativa para a indústria de móveis. Vejamos, as partes maiores dos móveis são estruturados em linha reta. Isso significa que as fábricas podem utilizar mais o MDP, que é um produto mais econômico. A combinação disso com o MDF e compensado faz com que o fabricante tenha um móvel com preço mais competitivo e, o mais importante, com garantia de qualidade. “Nós recomendamos ao fabricante aliar o design às características técnicas dos painéis disponíveis para a fabricação do móvel, buscando sempre a melhor relação custo-benefício para garantir a competitividade do produto final”, diz Trad.

Andréa Krause reforça essa teoria dizendo que “a opção de trabalhar com uma ou outra matéria-prima está mais associada ao design do produto que se pretende obter e a estratégia de Marketing. Hoje, observam-se espaço para ambos os produtos no mercado, porém a melhor relação custo-benefício fica por conta do MDP, que é mais barato”.

 

Com a palavra, os fabricantes de móveis

Uma coisa é ter a opção de uso, outra é usar efetivamente os painéis. Cláudio Gumieiro, proprietário da Prospectus Móveis conheceu a proposta dos fabricantes de painéis de que o MDP seria um intermediário entre MDF e o Aglomerado, tanto na densidade e na absorção de umidade, como no preço.

A Prospectus trabalha com dois segmentos: residencial de alto padrão e corporativo. Ele esclarece que, devido à rigorosa exigência do mercado residencial, trabalham preferencialmente com MDF cru ou MDF BP, pois nem sempre o preço é fator preponderante para a realização dos negócios. Já no corporativo, onde o fator preço é determinante, trabalham um misto de madeira, compensado e MDF cru ou MDF BP. Cláudio admite “não fizemos ainda nenhum teste com o painel MDP, mas acreditamos que, pelas características apresentadas, poderá ser muito bem aceito no mercado corporativo”.

Luciano, da Marcenaria Nossa Senhora da Paz, também conhece apenas de ouvir falar das propriedades do MDP. Ele tem a informação de o painel de MDP empena menos e recebe bem as aplicações de pintura. “Mas não usamos”, declara. Na Nossa Senhora da Paz se utiliza o MDF revestido, que segundo ele, é mais prático e torna a produção mais rápida.

 

E para o consumidor?

É consenso entre os fabricantes de painéis que consumidor, independente da classe social, procura uma solução funcional e de design quando está buscando um novo móvel. Ele não está procurando uma matéria prima específica, mas sim um móvel que atenda às suas necessidades com qualidade e ao menor preço possível. Por isso, a combinação de vários materiais na produção de móveis tais como vidro, alumínio, madeira maciça ou painéis de madeira industrializada, precisam resultar num produto que acrescente em qualidade e funcionalidade. Sempre haverá uma diferença de preços que pode ser absorvida ou não pelo consumidor. Ao falarmos de valores nos tópicos acima, a referencia feita pelos entrevistados é para os fabricantes dos móveis, pois, para o consumidor final, a leitura é outra. A estratégia de preço está associada ao mercado de atuação e posicionamento da marca. Existem no mercado marcas consagradas de móveis que optaram pelo uso do MDF e outras pelo uso do MDP, porém não quer dizer que uma seja mais cara que a outra, elas praticam preços similares, afinal, quem define o preço final do produto é o mercado.

O moveleiro não deve vender ao consumidor a idéia de que um produto é superior ao outro só pela aparência. Lojistas e representantes comerciais precisam ser bem treinados para falar tecnicamente dos atributos do produto.

 

Matéria publicada na Revista Sindimov - Edição nº 32 - Janeiro/2007